Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




A afirmação de um governo de esquerda no contexto europeu actual

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 21.05.16

 

 

Esta semana foi muito rica em surpresas, umas boas outras más.

As boas primeiro:

- o ministro da Educação, apesar de enxovalhado pelos lóbis da Escola ponto, revela-se um verdadeiro gestor político com uma visão ampla e clara da Escola Pública e da Educação;

- o governo, apesar de pressionado por Bruxelas, revela-se um verdadeiro governo com uma estratégia política e económica para o país;

- o PM, apesar das tentativas de o fragilizarem e/ou manipularem psicologicamente, revela-se um líder político com inteligência, maturidade e diplomacia eficaz. Afinal, já se tinha revelado como o negociador.

 

Agora as más:

- a Escola ponto não arreda pé, quer continuar a ser sustentada pelo contribuinte. Tem-se mantido até hoje desviando turmas da Escola Pública, dada a curva descendente demográfica da população estudantil e da emigração de casais em idade fértil. O argumento da sua sustentabilidade financeira não pode, pois, ser considerado, uma vez que já estava a furar a lei. E o argumento da crise social ainda menos, pois em crise social permanente tem vivido a Escola Pública desde Maria de Lurdes Rodrigues até Crato;

- Bruxelas e as suas estranhas personagens desdobram-se em conferências de imprensa tentando manipular e condicionar os cidadãos europeus, desta vez Espanha com eleições à porta, e Portugal, que funciona com um governo de esquerda. O aviso é claro: para ser aceite por Bruxelas, o governo deve ser de direita. Estas personagens perderam a credibilidade política, se é que que alguma vez a tiveram. Não são eleitos por ninguém, ninguém os conhece. Além disso, o seu discurso é medíocre e repetitivo. O poder destas personagens é ilegítimo e, por isso mesmo, perigoso;

- qualquer tentativa de fragilização do PM, neste contexto europeu e nacional, é prejudicial para a Europa em primeiro lugar, pois, com a Itália e a Grécia, somos um exemplo de excepção à regra da tendência da viragem à direita e até de extremismos de direita, e para o país em segundo lugar, pois vamos precisar de toda a margem de manobra política que conseguirmos para enfrentar os obstáculos que Bruxelas nos prepara e os desafios que a economia nos vai colocando à frente.

 

 

De onde se conclui que a afirmação de um governo de esquerda no contexto europeu actual é uma insolência ameaçadora para as personagens da Europa das estrelinhas - CE, Eurogrupo e outros sótãos e caves de Bruxelas - como insolente e ameaçadora é a própria democracia.

Lembram-se do que aconteceu à Grécia e que estas personagens nos fazem questão de lembrar? E apesar das humilhações que sofreu, a Grécia ainda acolheu milhares e milhares de refugiados? É na gestão desta crise humanitária que se vê a cultura e a  fibra de um povo.

No norte e centro da Europa vimos fronteiras a fechar-se. Bruxelas teve a indescritível ideia de pagar à Turquia para receber muitos de volta e os que continuam a vir. Por aqui se vê a cultura e a natureza da Europa política actual.

Espanha é agora o próximo território de ensaio da manipulação de Bruxelas. Dependendo dos resulatdos eleitorais se verá a próxima estratégia.

Daí a importância do governo português se manter intacto e determinado, pois vai precisar de toda a sua legitimidade política para se continuar a afirmar neste contexto adverso. 

 

 

 

 

 

publicado às 10:03

A Escola ponto

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 18.05.16

 

  

A Escola ponto é uma marca privada que se vestiu de amarelo e que se quer considerar parte integrante da rede escolar, embora as regras sejam completamente diversas da escola pública. As regras, a cultura de base e a população estudantil. O ponto quer precisamente ligar o que não é possível ligar.

Portanto, a Escola ponto é uma marca montada com habilidade para convencer a opinião pública de que presta um serviço público e que, assim sendo, deve continuar a ser financiada com o dinheiro do contribuinte.

 

Deve, portanto, perguntar-se ao contribuinte: Está disposto a continuar a sustentar os colégios com contrato de associação? Pegando num dos argumentos-chave da marca amarela Escola ponto, também o contribuinte deve ter liberdade de escolha.

Além disso, o contribuinte foi maltratado, desconsiderado e esmifrado pelos partidos políticos que apoiam a Escola ponto. Partidos políticos que cortaram na Escola Pública.

 

Outro argumento-chave da Escola ponto é a defesa do interesse das famílias. Então e o abandono dos apoios no Ensino Especial? E os preços exorbitantes dos manuais escolares que mudavam anualmente? Como é que isso ajudava as famílias? Afinal, de que famílias estamos a falar?

 

Estamos finalmente a ver um ministro da Educação com uma visão ampla, clara e estratégica da Escola Pública e da Educação. 

Parece que já está a ser pressionado, prensado e massacrado pelos lóbis da Escola ponto. Igreja, empresários da educação, PSD, CDS, isto para abreviar. Por isso, embora tenha o apoio dos partidos que suportam o governo, seria importante ter o apoio do contribuinte.

 

 

 

publicado às 22:40

Quando um governo não tem legitimidade política: o caso do Brasil

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 16.05.16

 

 

Neste vídeo, a proximidade com as pessoas que se manifestam espontaneamente compensa o facto de ser um vídeo amador. O jovem que filma vai descrevendo de forma objectiva o que vê: o facto de ser uma manifestação espontânea, não programada, o facto de se verem muitas mulheres, muitos jovens, o que vão dizendo, em nome das mulheres, dos operários, dos pobres, dos indígenas. Recordam o caminho que os avós e os pais percorreram contra a ditadura. Democracia e luta. Esta é a essência da sua revolta contra o golpe político e o governo Temer.  

 

"A democracia brasileira morre aos 27 anos" diz Gregório Duvivier, um dos colaboradores do Porta dos Fundos. E esclarece numa síntese perfeita a cultura retrógrada do governo Temer.

A minha primeira perplexidade: onde é que estes fantasmas estavam escondidos? Nalgum sótão de um casarão velho cheio de teias de aranha? Este tipo de homem saído do séc. XIX existe mesmo? Não é uma imagem halográfica replicada em 16 figuras para nos convencer que são mesmo reais, de carne e osso?

A minha segunda perplexidade: como foi possível isto acontecer no Brasil?

 

Como tudo na vida, caros Viajante que passam por este cantinho do vozes_dissonantes, se não tivessem saído do sótão escuro de onde manipulavam os negócios da política e a política dos negócios, nunca saberíamos da sua existência e nunca poderíamos desmontar a sua cultura de base.

As medidas que este governo já anunciou lembraram-me outras que aqui também já sofremos durante os 4 anos do governo-troika. Só que estes fantasmas estão todos implicados em casos de justiça. 

 

Para já, o povo brasileiro não aceita este governo. Mas não subestimar a força policial e militar que governos sem legitimidade política e com esta cultura retrógrada podem mobilizar contra as populações.

 

 

 

publicado às 10:05

Este PSD é democrata?

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 08.05.16

 

 

 

As vozes dissonantes devem fazer-se ouvir de vez em quando. As vozes que destoam das vozes monocórdicas dos comentadores de serviço na televisão.

 

Vou fixar-me apenas numa opinião de um adolescente tardio (= trintão imaturo): O que me irrita na esquerda é que pensam que a democracia é apenas deles. Eu nasci com o 25 de Abril e considero que a democracia também é minha. A democracia também é da direita.

A ideia era mais ou menos esta: este PSD é democrata. O menino mimado não percebia como era possível apelidarem o PSD de não democrata. Alguém teve de lhe lembrar que o governo anterior governou sempre à revelia da Constituição.

 

Aqui analisei muitas vezes o governo anterior, a sua cultura de base e até a sua estética comportamental. E apelidei-o de fascizóide. Estava lá tudo: humilhação, intimidação, bullying político. 

De facto, podemos imaginar uma linha contínua para classificar o autoritarismo, do autocrático à tirania. Mas será um exercício interessante? As classificações políticas apenas servem para nos distrair do essencial.

 

A democracia é um contrato entre os gestores do poder e os cidadãos, vive em equilíbrio constante, pesa tudo no fiel da balança, é responsável e responde pelas suas decisões, é aberto e transparente. A Constituição é a lei comum, as regras da gestão política. A Assembleia é o espaço onde esse equilíbrio é exercitado. O governo responde perante a Assembleia. O Presidente é uma garantia de que este equilíbrio é alcançado na gestão política do governo e que se respeita a lei comum.

 

O governo anterior só conseguiu atropelar a democracia, depois de a amolgar e adulterar, porque se refugiou no empréstimo, na dívida e na troika. Essa era a sua justificação. 

As desigualdades sociais aumentaram, a classe média foi atirada para a pobreza, os jovens para a emigração. Mas isto toda a gente já sabe.

 

Incomodemos ou não as vozes monocórdicas de serviço, é preciso desenhar com clareza as linhas gerais da democracia. As crianças e os adolescentes precisam de saber, com exemplos concretos da vida real, o que é a democracia, para saberem detectar os desvios e poderem votar de olhos abertos.

 

 

publicado às 08:07

A dupla responsabilidade da esquerda actual

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 07.05.16

 

 

 

A dupla responsabilidade da esquerda actual:

1 - governar o país dentro dos constrangimentos que nos condicionam a economia, enfrentando os desafios que a CE irá colocar à nossa frente;

2 - livrar-nos deste PSD e deste CDS pois ninguém lhe perdoaria colocar em risco a actual maioria de esquerda e entregar-nos nas mãos dessas personagens e da sua cultura obsoleta.


Quando a comunicação social dá voz a quem só quer destruir o actual equilíbrio possível no poder para nos pôr o pé em cima de novo, percebemos que não podemos confiar em tudo o que vemos e ouvimos na televisão.


Felizmente temos um Presidente inteligente e perspicaz que entende que a democracia respira no movimento - negociações e acordos - e no equilíbrio - compromissos e decisões.


E a democracia ainda é a melhor fórmula para uma organização social, política e económica saudável, dinâmica e equilibrada.

 

 

Post publicado em A Vida na Terra.

 

 

publicado às 10:51


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D